Idade Moderna










Religião
religiãoNa Idade Moderna, a religião predominante era a da igreja católica romana que não dava espaço para outras religiões.
 
Além do papel religioso na sociedade, a igreja tinha grande influência política sobre muitos países, que na época tinham formato de monarquia. 
 
França, Inglaterra, Itália e muitas outras monarquias tinham de levar em consideração a opinião do papa, por consequência da igreja. As práticas da igreja católica, como missas serem ministradas de costas para o público e em latim ou as indulgências (vendiam-se, por altos preços, “terrenos no paraíso”- quem era rico, poderia comprá-las e ter espaço garantido, para si e seus familiares,  no céu) eram comuns naquela época. Até que começou a acontecer o movimento de reforma religiosa.
 
 
Reforma Protestante
 
Desde o século XIV, John Wycliffer, na Inglaterra já defendia ideias próprias sobre um movimento protestante contra as normas da Igreja Católica. Seus ideais foram se espalhando e inúmeros católicos começaram a criticar as regras da igreja, dentre eles estão o monge Girolamo Savarola que foi torturado e enforcado por ordem do papa Júlio II, o jurista Thomas Morus, Erasmo de Torrerdam e muitos outros que clamavam por uma reforma na religião da época.
 
A reforma protestante aconteceu no século XVI, a partir do ano de 1517, durante a Idade Moderna. Nasceu em busca de se contrapor a uma série de práticas relativas à igreja católica romana. Com isso, os movimentos religiosos que questionavam os dogmas da Igreja e o papa foram sendo disseminados na Europa do século XVI. Ainda mais porque muitos não se conformavam com os abusos realizados. A sociedade, nesse período, estava passando por uma mudança de ideias e um novo pensamento renascentista, que também era contra os preceitos da igreja, começou a surgir. As pessoas começaram a ter uma opinião mais crítica sobre os acontecimentos e também criaram hábito para a leitura.
 
Luteranismo
 
A reforma teve vários líderes ao longo do seu tempo de ação, mas, sem dúvida, o que mais ganhou destaque foi o alemão Martinho Lutero, um monge alemão que adotava, entre outras ideias, a de que todos os fiiés deveriam ter acesso a sua própria Bíblia. Lutero fez a publicação de uma lista de 95 teses de sua autoria e esse documento foi o marco para o rompimento da igreja católica com Lutero e também apontado por alguns historiadores como o começo da reforma.

O acesso à Bíblia e a outras fontes de conhecimento era restrito, primeiro pelo fato de muitos não saberem ler e mesmo os que sabiam não tinham acesso aos livros, que eram censurados e controlado pela igreja. Somente monges e padres que viviam nos conventos tinham acesso a esse conhecimento, sendo que, no mesmo local, eram designados escribas para fazer cópias, à mão, desses conteúdos.

Mesmo antes de Martinho se levantar contra alguns dogmas da igreja, John Wycliffe, teólogo inglês e Jan Hus, pensador boêmio, já haviam questionado algumas posições da igreja. Foram os propulsores da reforma religiosa e deram inicio a esse movimento questionando a atuação da igreja nas decisões políticas. Questionavam também, a riqueza da igreja e defendia que a mesma deveria ser pobre como havia sido anteriormente.

Seguidos a esse pensadores, Martinho Lutero, mesmo sendo monge e vivendo sob as leis da igreja, se opôs a princípios que o regiam. Martinho teve acesso às escrituras da Bíblia e obteve destaque ao fazer sermões contra as indulgências. No dia 31 de outubro de 1517, foi colocado á público ao 95 teses de Lutero que estavam abertas às discussões. Dentre elas, estavam as que condenavam a “avareza e o paganismo” que estavam impregnados na igreja e também sobre as indulgências, prática que Lutero era contrário.

Lutero foi excomungado da igreja católica, sofreu várias ameaças de morte, passou por vários conselhos que tentavam fazê-lo se retratar perante as autoridades católicas  sobre suas teses, mas nada disso o fez largar sua ideologia. Talvez por isso, tenha contado com apoio de muitos líderes religiosos e políticos. Lutero, com desejo de popularizar o conhecimento ao povo, fez tradução do Novo Testamento para a língua alemã, sendo que a Bíblia só era disponível em latim.

 
A reforma, que se seguiu até mesmo depois da morte de Lutero arrancou muitas pessoas de dentro da igreja católica. O povo via, no movimento, um caminho para sair da opressiva força da igreja. Criaram-se novas igrejas do ramo conhecido como protestantismo. Igrejas luteranas, calvinistas, anglicanas e outras foram criadas com intuito de seguir essa nova linha de regras que iria contra os dogmas da Igreja católica.
 
Calvinismo
 
Outro que influenciou na reforma foi João Calvino em 1534. Na sua concepção, o homem poderia salvar sua alma se trabalhasse de forma justa e honesta. Ele acreditava na ideia de que algumas pessoas foram predestinadas por Deus para serem ricas e outras para serem pobres e miseráveis. Essa corrente influenciou muitos banqueiros, trabalhadores e burgueses, portanto, quem acreditasse nisso, trabalhava incessantemente para adquirir a salvação eterna.
 
Anglicanismo
 
O rei Henrique VIII, na Inglaterra, funda o Anglicanismo. O rei desejava casar-se com outra mulher, Ana Bolena, e queria que o papa anulasse o seu casamento com Catarina de Aragão, que havia casado por interesse. Mas, de acordo com o papa 'O que Deus uniu, o homem não separa'. Assim, o controle da igreja na Inglaterra ficou sob a autoridade do rei. Como ele havia retirado uma grande quantia de terras da Igreja Católica seu poder e posses aumentaram.
 
Essa religião era semelhante ao catolicismo, exceto pelo fato de conceder o direito ao divórcio e negar a obediência total a infalibilidade do papa, ou seja, que tudo que ele falar é definitivo e deve ser cumprido. Aos poucos o anglicanismo foi agregando os princípios do Calvinismo.
 
 
A Contra Reforma
 
Muitos da própria igreja católica tinham acreditado nas teses de Lutero e na possibilidade das Bíblias traduzidas segundo a língua local. Isso resultou numa outra divisão na igreja católica romana: um lado ficou com a igreja dos católicos romanos (linha que mantinha os princípios católicos) e os reformados (linha protestante).

Vendo que seu domínio corria perigo, a igreja católica tratou de formular ações para evitar que as ideias da reforma religiosa fossem aceitas de forma unânime pela população. Foi então feito o Concílio de Trento, medida do que seria a Contrarreforma ou a reforma católica.

O Concilio de Trento foi o décimo nono concílio ecumênico e aconteceu de 1545 até 1563. Foi ordenado pelo Papa Paulo III. Visava rever e redefinir unidade de fé e disciplina eclesiástica. Tentava buscar uma forma de frear a evolução da reforma religiosa, que Martinho Lutero tinha desencadeado. As medidas que foram definidas nesse conselho, escolhidas pelos pontífices da igreja católica, formaram o que se chama do movimento contrário à reforma: a Contrarreforma.  

O movimento da Contrarreforma incluiu várias medidas como:
 
  • A reafirmação da necessidade de celibato;
  • Reconfirmação da autoridade do Papa;
  • Criação do catecismo (escola para crianças aprenderem desde cedo);
  • Criação de uma lista de livros proibidos que continham documentos que se opusessem aos ensinamentos da igreja;A opressão à condição de indulgências além da famosa santa inquisição. A santa inquisição é guiada pelo tribunal do santo ofício, que julgava pessoas que se opusessem às doutrinas da igreja.
Com essas atitudes, no período de 1534 até 1590 a igreja teve de volta grande parte de seu domínio financeiro e político sobre algumas potências da época. A igreja voltou  acumular grandes quantias financeira em seus cofres e uma boa parcela do povo, que fugia das punições para os rebeldes, voltava ao julgo dos papas.

A chamada santa inquisição foi responsabilizada por muitas condenações à fogueira, forca e outros tipo de morte. Tornou-se uma maneira de, por medo, evitar que as pessoas escolhessem o lado protestante e também o crença na adoração de plantas, animais. As condenações dadas aos “infiéis” na santa inquisição variavam entre confiscar todos os bens, perda de liberdade até a pena de morte. Outro “fruto” da reforma católica é a retomada da arte cristã, o que influenciou no início do movimento barroco.

A contrarreforma influenciou no descobrimento do Brasil, pois a reforma católica tinha também a ação de levar as doutrinas do catolicismo para outros locais. Potência como Portugal e Espanha levaram o catolicismo para suas colônias e por consequência, o Brasil, colônia portuguesa, teve seu início marcado pela ideologia católica. Através da contra-reforma surgiu a Companhia de Jesus, fundada em 1534 por Inácio Loyola, um ex-oficial espanhol. Os soldados de Cristo, como eram chamados os jesuítas desse movimento, eram rígidos e procuravam exterminar as heresias e a reforma protestante, além de realizar a catequização dos não-cristãos.
    
O protestantismo não foi eliminado pela Contrarreforma mas teve uma brusca desaceleração de crescimento. Além do que, Portugal e Espanha, que incorporaram mais a ideologia da Contrarreforma, foram os pioneiros na expansão marítima e, assim, levaram a ideologia católica a mais lugares que o protestantismo. Enquanto Portugal e Espanha catequizaram as Américas e o protestantismo esteve mais presente somente na América do Norte, levado pelos ingleses. 

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